sábado, 2 de março de 2013

LUA DE MEL PT/PMDB VAI ATÉ QUANDO?


Feito cerimônia de casamento do PT com o PMDB, a convenção foi palco de demonstração do início do lua de mel entre petistas e peemedebistas, aparentemente.  Não faltou nem mesmo a festa de noivado, ocorrido no Palácio do Jaburu com os integrantes do PMDB, sob pretexto de homenagem ao José Sarney.  A festa de noivado, foi matéria de crítica minha, com relação aos gastos de R$ 16 mil, pagos com dinheiro do contribuinte. Vejam o resumo do noticiário da Folha on line e comentários na sequência.


Em uma demonstração de valorização da parceria com o PMDB, a presidente Dilma Rousseff não poupou elogios ao vice Michel Temer durante convenção nacional neste sábado (2). A presidente desejou "vida longa" à aliança com o partido. Apesar de não ter explicitado que Temer será o vice em 2014, o discurso agradou a cúpula do partido. Fonte: Folha.

Entre os peemedebistas, havia a expectativa de que Dilma aproveitasse a convenção do PMDB para enfatizar a manutenção de Temer como seu vice na disputa pela reeleição, no ano que vem. Essa explicitação não veio. E não foi por esquecimento. O discurso foi lido, não de improviso. Fonte: Folha.


O PMDB é dono da maior bancada do Congresso, com 103 parlamentares (83 deputados e 20 senadores). Fundamental, portanto, para a aprovação de projetos estratégicos de interesse do Palácio do Planalto. Para tentar solucionar a fissura na aliança com os peemedebistas. Dilma, normalmente avessa a contatos mais tradicionais com políticos, promoveu um jantar no Palácio da Alvorada, em novembro passado, com toda a cúpula do PMDB. Fonte: Folha.

"Eu tenho certeza que todos vocês sabem que torcer contra é o único recurso daqueles que não sabem agir a favor do Brasil. Em tudo o que foi feito, é normal que nós tenhamos enfrentado interesses divergentes que estavam acostumados ao passado e não queriam mudanças. Mas com a força política da coalizão que sustenta o governo, nós PT, PMDB e partidos aliados, estamos vencendo as resistências e os obstáculos", afirmou Dilma. Fonte: Folha.



Comentário.

O PMDB já tinha sido contemplado com as presidências da Câmara e do Senado, num acordo de lideranças, Henrique Alves e Renan Calheiros, respectivamente, segundo e terceiro postos na hierarquia de sucessão, no caso de vacância ou licença da presidente Dilma Rousseff.  Sendo que o senador Renan Calheiro é constitucionalmente, também, presidente do Congresso Nacional.

Que eu me lembre, o PMDB, nunca esteve politicamente tão prestigiado, desde o término do mandato do presidente José Sarney.  Por sinal o mandato do José Sarney não foi das melhores em gestão econômica com sucessivos planos desastrados que culminaram com hiper-inflação, na passagem de comando do País para o presidente Collor.  

O teste da fidelidade de ambos os partidos, como no casamento, poderá acontecer em duas datas distintas.  A primeira data é o dia da desincompatibilização dos cargos executivos para concorrer a um outro cargo executivo, no caso o da presidência da República.  E a segunda data é o dia da convenção nacional do PT que a Dilma vai escolher o seu vice.  

Se o Michel Temer quiser se candidatar ao cargo de presidente da República pelo PMDB, terá que renunciar ao atual mandato de vice-presidente até o dia 4 de abril de 2014.  Não o fazendo, fica no livre arbítrio do PT em escolher ou não o Michel Temer como parceiro de chapa da Dilma, na convenção que irá homologar a chapa, entre final de junho e início de julho do próximo ano.  A convenção do PT poderá ainda, escolher Luis Inácio como candidato à presidência no lugar da Dilma.

Neste contexto, existe possibilidade de Eduardo Campos, PSB, vir a ser candidato à vice-presidência no lugar do Michel Temer, tanto na chapa composta como titular a Dilma ou mesmo Lula.  Nada impede que Michel Temer seja candidato a vice do Eduardo Campos, numa eventual composição PSB/ PMDB, contra o PT.  A essa altura, corre por fora o Aécio Neves, PSDB, como candidato da oposição.  Por que não uma composição PSDB/ PMDB, sendo Temer como vice?  Na política, não existe a palavra "impossível", tudo pode acontecer. 

Eleições não se ganha na véspera.  Tudo que for feito agora, num momento de relativa calma no cenário econômico, poderá não servir para um cenário econômico deteriorado, como por exemplo, pífio crescimento em 2013, inflação nos patamares próximos de 10% e índice de desemprego em baixa.  Repito, o momento para a nova avaliação é no dia 4 de abril de 2014 e no início de julho de 2014. Os fatores determinantes à popularidade da presidente Dilma, poderão não serem os mesmos de hoje. Até lá, muitas águas passarão por debaixo da ponte!

Até quando poderá resistir a lua de mel entre PT e PMDB?

Ossami Sakamori, 68, engenheiro civil, foi professor da UFPR, filiado ao PDT.  Twitter: @sakamori12

Um comentário:

Daniel Cohen disse...

Meu amigo Saka,

Esse casamento dura, até quando outro partido qualquer abarque o poder. PMDB não é "esposa". Na verdade esta mais para amante, amásia ou popularmente falando,..puta mesmo!
A fisiologia deles esta mais chegara a "rodar bolsinha" na esquina, que a qualquer outra consideração política.